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quarta-feira, 8 de junho de 2011

Minhocas na cabeça


Pra vcs entenderem aquela ideia que eu passei (tentei passar) pra vcs... Até sexta, jucagagados!
Ana V.

O CORPO SONORO (Lenine Martins e Ricardo Garcia)

Conceitos relacionados à música e à composição musical, como altura, timbre, ritmo, velocidade, repetição, simultaneidade, servirão como ponto de partida para composição da partitura cênica. A relação ampliada do ouvir/reagir aos estímulos sonoros é buscada através de exercícios práticos que potencializam o trabalho do ator, em sua relação com os elementos de composição da cena, tais como o som e o espaço. A conexão entre audição e imaginação é também um dos princípios de trabalho do Corpo Sonoro. Dada a materialidade do estímulo sonoro, a sensação que proporciona o ouvir é física, vibratória e, portanto, precisa ser trabalhada no plano real e não apenas no ficcional pelo ator. O som, pensado a partir dessa perspectiva, funciona no corpo do ator como elemento de ativação do imaginário, concepções de mundo que podem ser explorados em cena.  

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Minha Canção

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Aurélio, o jumento

Nasceu filho único. Nas suas vagas lembranças da mãe vê uma figura dócil e protetora. Nem bem desmamou foi vendido pelo patrão de sua mãe a um vizinho.
Chegando em sua nova casa conheceu João Roberto, o filho do patrão. O sonho de João Roberto era ser famoso, um doutor, por isso tinha muitos livros e estudava muito. Aurélio e João Roberto se tornaram bons amigos. Nas horas que não estava carregando alimentos da fazenda para vender na cidade com o patrão, Aurélio e João Roberto estavam sempre juntos.
Aurélio levava João Roberto e seus livros pela fazenda todos os dias. Um dia iam a um lago, no outro a uma cascata, em outro a um bosque vizinho. João Roberto se acomodava como podia, abria seus livros e os lia em voz alta para Aurélio. E dia após dia os dois iam ficando mais cultos, mais inteligentes.
Chegou o dia de João Roberto ir a tão sonhada faculdade. Na sua despedida disse a Aurélio: “Vou me formar doutor. Volto para ver para você sempre que puder”.  E após um carinho no lombo de Aurélio, João Roberto embarca no carro do pai e segue rumo a cidade grande.
Naquela mesma noite, de longe, Aurélio ouve choro e desespero vindo da casa do patrão. Chega mais perto para ouvir, e tem a trágica notícia que João Roberto havia morrido em um acidente de avião. Fica agitado, desesperado. Não dorme pensando no que ouvira. Podia ter entendido mal. Devia ter entendido mal.
Mas na manhã seguinte, chega um carro funerário com o corpo sem vida de João Roberto. Aurélio permanece junto a janela durante todo o velório, apesar da insistência dos humanos para que se afastasse.
A família segue para o enterro no cemitério da cidade. E Aurélio segue de longe o cortejo. Escondido por detrás de algumas árvores assiste o funeral de seu grande amigo que tinha o sonho de ser famoso, um doutor.
Os carros dos familiares vão indo embora. E Aurélio fica. Cemitério vazio. Aurélio se aproxima do túmulo de João Roberto e se despede pela última vez com uma promessa. “Eu vou a cidade ser famoso por nós dois”.

Estilo musical: Rap.
Música: Dezesseis (Renato Russo).
Trabalho: catador de papéis.

Dezesseis
Composição : Renato Russo

Napolão, o cachorro

Nasceu de uma ninhada e 6 filhotes. Seu pai Duque, um Dog Alemão pertencente a uma família vizinha e sua mãe Mel, uma linda boxer dourada. Mel, além de ser a sentinela da fazenda, depois do parto tornou-se uma cachorra doce e muito atenciosa com todos os seus filhotes.
Napoleão adorava brincar com os irmãozinhos de rolar, morder, correr atrás um do outro.
Quando tinham 2 meses viu aos poucos seus irmãozinhos indo embora. Ele não entendia por que. Os humanos chegavam, brincavam com eles, faziam carinhos e quando se davam conta iam embora levando um deles. E sua mãe ficava muito triste a cada separação. Ele, não querendo deixar sua mãe sozinha se escondia cada vez que aparecia um humano para “ver” a ninhada. E assim acabou ficando na fazenda.
Alguns meses depois sua mãe morreu defendendo a fazenda de lobos, que a atacaram. Seria dele agora, a função de guardião da fazenda.
Apesar de ter sofrido com a perda dos irmãos e da mãe, Napoleão vivia tranquilamente, brincando com os outros animais da fazenda, fazendo bagunça, roubando roupa do varal (só as brancas, eram mais vistosas) e levando para as poças de lama para deixá-las ainda mais bonitas. Entrava freqüentemente na casa do patrão pois adorava dormir no sofá da sala, espiar em cima da mesa e atacar as guloseimas que lá estavam e que conseguia alcançar. Mas isso não agradava muito seu patrão.
 Foi então que ele foi mandado para o “adestramento”. Ficou por 2 meses num canil especializado em comportamento canino. Lá ele aprendeu o significado de várias palavras como senta, deita, morto, pega... e a principal delas, o “NÃO”. Aprendeu que devia seguir as regras, ser obediente sempre. Aprendeu que a desobediência traria doloridos castigos. E foi assim que se tornou verdadeiramente o cachorro que seu patrão queria. E se acostumou com a situação, não sabendo como viver sem o comando de alguém. Às vezes lembrava da infância feliz, mas não saberia mais como ser aquele cachorro espontâneo e brincalhão. A vida lhe ensinara a ser um seguidor, um servo.
Até quando certo dia, na rotina de sua tarefa de vigiar e proteger a fazenda, aparecem lobos. Nesse momento ele lembra de sua mãe e como foi trágico o seu destino na tentativa de defender a fazenda. Seu patrão gritava com ele, para que atacasse. Mas ele não podia. A imagem de sua mãe não lhe saia da cabeça. Foi então que ele ser rebelou, e resolveu fugir. Sim, fugir seria a solução. E foi assim que atravessou as cercas de arame farpado da fazenda e sumiu em direção a cidade.
Estilo musical: MPB.
Música: Metal Contra as Nuvens (Renato Russo).
Trabalho: soldado de exército, policial.
Metal Contra As Nuvens
Composição : Dado Villa-Lobos/ Renato Russo/ Marcelo Bonfá

Amanda, a gata

Gata angorá de pelagem branca e macia, Amanda nasceu de uma ninhada de 5 filhotes. Nos seus primeiros meses de vida era muito protegida e amada por sua mãe Katy e seus irmãozinhos.  Brincava muito de rolar, de arranhar o sofá da casa dos patrões da mamãe Katy, de desenrolar novelos de lã que ficavam em uma cesta perto do sofá, que Katy pacientemente explicava para não mexerem... mas era tão colorido tão lindo, que Amanda e seus irmãozinhos não resistiam.
Quando completaram 2 meses, todos os filhotes foram levados a um Pet Shop. Ficaram em uma vitrine, dentro de uma gaiola.  Felizmente, em poucos dias Amanda ganhou uma patroa e uma casa nova. Era um apartamento lindo, e Amanda tinha uma almofada só para ela. E ainda melhor, a patroa de Amanda tinha uma filhinha chamada Sabrina.
Sabrina era muito carinhosa com Amanda. Sempre que chegava da escola, brincava com Amanda até a hora que a mãe de Sabrina a manda ir deitar.
Quando Sabrina ia dormir, Amanda se acomodava no peitoral da janela da sala, de onde conseguia ver o movimento da rua. Via os gatos da vizinhança passeando, cantando, se divertindo. Ouvia, ainda que de longe, suas aventuras em busca de comida. Acompanhava também muitas histórias românticas dos gatos e suspirava com elas. Era como se assistisse a uma novela. Acompanhava todas as noites os capítulos de “Gatos Boêmios”. Às vezes arriscava até cantar com eles, mas quanto a patroa ouvia, fechava as cortinas e a mandava dormir.
Amanda dormia e sonhava com os gatos boêmios da rua, e se via junto a eles. Estava acostumada a esta rotina de todas as noites assistir os gatos por trás da vidraça e depois dormir e se encontrar com eles nos seus sonhos. Vivia em um mundo feliz preso a sua imaginação.
Numa linda noite de lua cheia, quando assistia aos gatos pela vidraça, sentiu a presença de um gato em especial. Era ele, Ígor, o mais belo dos gatos. Ele tinha uma pelagem tigrada, laranja e palha. Os olhos mais brilhantes que já tinha visto. E quando cantou.... ah, quando cantou ela ouviu aquela voz grave e macia, sentiu algo diferente.  Sentiu que precisava chegar mais perto, poder sentir, tocar em Ígor. Mas a razão falou mais forte que a emoção, “ele nem me enxerga aqui, melhor deixar como está”.
Até que uma noite, olhando para a vidraça, Ígor cantou:
 “Basta olhar no fundo dos meus olhos pra ver que já não sou como era antes
Tudo que eu preciso é de uma chance de alguns instantes
Sinceramente ainda acredito em um destino forte e implacável
Em tudo que nós temos pra
viver.
É muito mais do que sonhamos. Será que é difícil entender?
Porque eu ainda insisto em nós. Será que é difícil entender?
Vem andar comigo, vem, vem meu
amor.
As flores estão no caminho.
Vem meu amor, vem andar comigo, vem andar
As flores estão no caminho
Vem amor, vem andar comigo”
E ela percebeu que ele cantava para ela. Era como uma serenata. Amanda não teve dúvidas, escapuliu do apartamento e foi se juntar a gataria, e a um gato em especial, Ígor.
Foi uma noite maravilhosa. Cantou, dançou, ouviu histórias, contou a sua história e namorou Ígor. Parecia um de seus sonhos, mas sabia que era real. Nunca se sentira tão feliz.
Em um beco perto dali, se aconchegou num macio saco de lixo, que nada lembrava sua almofada, mas era suficientemente confortável para dormir um pouco. Quando acordou Ígor havia sumido. Foi quando Vicente, o gato mais velho do bando, lhe entregou um bilhete de Ígor que dizia:
“Te via todas as noites através da vidraça de um lindo apartamento. Me apaixonei. Cantava para você. Sonhei com o dia que você viria cantar comigo. Foi mágico, maravilhoso. Mas ao conhecer sua história, resolvi me afastar. Você tem tudo de que precisa, na hora que precisa. A vida aqui em baixo pode ser divertida às vezes. Mas também é perigosa e dura. Você não está preparada para sobreviver aqui. Vou embora deixando um pouco de mim aí. Mas sei que para você será melhor assim.”
E assim ela fez. Voltou para casa. Ao chegar o porteiro a reconheceu e chamou sua patroa. Sabrina ainda tentou pegá-la no colo, mas sua mãe não deixou e enxotou Amanda porta a fora. Indo embora, ouvia Sabrina chorando e sua patroa dizendo para o porteiro:  “passou a noite na rua, deve estar cheia de sarna e pulgas”.
Foi assim que Amanda se tornou uma gata boêmia de rua. Tem esperança de um dia reencontrar Ígor, mas não é o mais importante. Hoje é feliz saindo todas as noites com a gataria a cantar e dançar, livre como todos os gatos devem ser.

Estilo musical: Rock.
Música: Amor Platônico (Renato Russo).
Trabalho: artista.
Amor Platônico
Composição : Legião urbana

Glória, a galinha

Ela ainda lembra quando estava no ovo, sendo chocada pela sua mãe. Era quentinho e ela se sentia protegida. E ia crescendo, crescendo até que o ovo começou a rachar e ela conheceu o mundo. Sua mãe sempre a aninhava debaixo de suas asas para dormir. Adorava brincar de correr pelo terreno da fazenda com os outros pintinhos, bicar minhocas, aprender a ciscar imitando as outras galinhas. Quando já era uma franguinha conheceu Fred, um galo vistoso, de crista grande e peitoral definido. E passou a ser uma das dez galinhas do haren de Fred. Todos os dias botava ovos que o patrão buscava para vender.
Certo dia chegou a fazenda um caminhão, contendo fornos e fogões  industriais, freezers e outros equipamentos que foram descarregados em um galpão recém construído pelo patrão. Depois desse dia via diariamente as galinhas mais velhas sendo levadas para esse galpão. Uma das primeiras foi sua mãe, que partiu feliz e na despedida mencionou que o galpão era um galinheiro de repouso, já que produzira tanto a vida inteira.
Nos dias que seguiram, o patrão não passava mais para recolher ovos, então ela entendeu que chegara a hora de ser mãe. E chocou seus ovos com todo amor que podia até nascerem seus pintinhos. Eram tão pequenos, tão frágeis. Ela deveria ser o porto seguro daquelas lindas criaturinhas. Conforme iam crescendo, sentia orgulho dos filhotes que ficavam cada dia mais vistosos.
E assim passavam-se os dias. Cuidando dos filhotes e vendo com certa desconfiança outras galinhas sendo levadas para o “galinheiro de repouso”. Até que um dia, estranhamente, não levaram só as mais velhas, levaram também alguns franguinhos pouco mais velhos que seus filhotes. Resolveu investigar.
Fez um pequeno vôo, esforçando-se ao máximo, já que suas asas não lhe permitiam voar muito alto. Mas foi o suficiente para alcançar a soleira da janela do galpão. E viu, com pavor estampado nos olhos, o patrão e alguns funcionários da fazenda matando e depenando as galinhas e frangos levados naquele dia. As galinhas eram preparadas ensopadas e os frangos colocados nos fornos para assar. Entrou em pânico e voltou correndo ao galinheiro para avisar os demais. Mas era tarde demais. Estavam levando seus filhotes. Ainda ouviu o patrão falando feliz para um dos funcionários: “Temos uma grande encomenda de frangos assados para amanhã. Terá festa na cidade.”
E no auge de sua tristeza se recolheu ao seu ninho, tentando se esconder do mundo e de si mesma. No seu ninho tentou botar um ovo. Pensou que talvez, se tivesse mais um filhote, um somente, que pudesse esconder do mundo e proteger, pudesse amenizar a sua dor. Mas não conseguiu. Nunca mais conseguiu.
Em uma noite fria resolveu que era hora de sair daquele lugar. Não conseguiria sobreviver ali, com a lembrança do trágico dia em que descobriu a verdade sobre o galpão. Fugindo, quem sabe conseguiria levar consigo apenas as boas lembranças.

Estilo musical: Romântica.
Música: Love in the Afternoon (Renato Russo).
Trabalho: dona de casa.

Love In The Afternoon
Composição : Renato Russo

quarta-feira, 11 de maio de 2011

A Gata Sibele

     Sibele era uma gatinha pequeneninha , curiosa, com aparência frágil, mas com olhos muito fortes e muito intuitiva que morava numa casa de reprodução de gatos, Sibele sempre se sentiu diferente dos outros gatos que ali ficavam sendo cheirosos, delicados e manhosos. Um dia uma moça levou ela para seu apartamento, como Sibele se sentia tão sozinha no meio daqueles gatos cheios de não me toques, o carinho que sua dona lhe dava, a fazia bem, mas Bruna ( sua dona) só chegava a noite e Sibele ficava sozinha o dia inteiro. Um dia Bruna foi trabalhar e esqueceu a porta aberta, Sibele no começo ficou meia assim de sair, pois bruna poderia ficar braba, mas Sibele não resistiu seu instinto de liberdade. Ela conseguiu chegar somente até o gramado do prédio, mas já foi o bastante para ela ver o que era realmente uma vida, e aquele 15 minutos que ela ficou antes do porteiro leva-la de volta para o apartamento. Ela viu um grupo de gatos de rua passando, cantando e dançando, um daqueles gatos a convidou para ela ir junto, e nisso o porteiro a pegou. Ela ficou com aquilo na cabeça o dia inteiro, quando a noite sua dona durmiu, ela deu um jeito de fugir e foi lá com o gatedo, e ela realmente viu o que é liberdade, felicidade e amizade. Percebeu que sua dona não a carinhava como ela precisava e ela foi em busca do que ela sempre sonhou, agora ela entendeu porque se sentia tão diferente dos outros, ela tinha algo a mais para mostrar ao mundo.